17 de Março de 2008

Viagem a Morro de São Paulo - A Volta (parte 1)

E começa a viagem de Catamarã. A vinda, como disse foi tranquila. O mar calmo e a ansiedade da chegada fizeram a viagem passar rapidinho. Mas a volta... Isso sem falar na Karen que ainda vai aparecer na história.

Nos primeiros metros eu já senti que o parangolé ia ser diferente... O Catamarã balançava mais que a bunda da Preta Gil correndo.

Léa ficou logo enjoada. E eu também na verdade. Não teve Dramim que desse jeito.

O Catamarã tinha em cada cadeira aqueles saquinhos de vômito pra quem quiser dar aquela gofadinha básica (argh!). Léa catou o saquinho dela e me falou que ia vomitar a qualquer momento.

Eu estava um pouco melhor que ela naquele instante mas a situação estava complicando. Não tínhamos nem 30 minutos de uma viagem de quase 3 horas e já estávamos naquela situação.

O Catamarã continuava a balançar mais que a bunda da Preta. As ondas enormes pareciam que iam engolir o barco. As vezes a água entrava na parte externa do barco e batia nas escotilhas com força. Entre uma onda e outra a gente só via água pelas janelas. Uma situação bem tranquila vocês podem perceber.

Léa continuava naquela agonia de vomita não vomita e eu resolvi ensinar a ela uma técnica ninja que aprendi ao longo dos anos. A idéia era manter os olhos em um ponto fixo à frente e não desviar o olhar pra tentar diminuir os efeitos do balanço do barco.

Só tinha um probleminha: o ponto fixo à nossa frente era uma TV onde passava o show de Aviões do Forró!

Você leu certo: passava o show de Aviões do Forró...

Uma coisa é você ouvir Aviões do Forró no São João cheio de licor de maracujá na cabeça ralando o bucho no arrastapé com a nega véia. Outra é você ter que assistir todo o show sem poder tirar o olho da tela sob pena de ficar mais enjoado ou até vomitar.

Eu me vi dentro do filme Laranja Mecânica do Kubrick. Sabe aquela cena que amarram o cara em frente a uma tela que mostrava várias cenas de violência e ele com o olho mantido aberto por uma engenhoca e umedecido com um colírio de tempos em tempos? Pois é. Era eu assistindo Aviões do Forró no Catamarã.

Mas não tinha outro jeito. Eu tinha que ficar olhando para aquela tela. No início eu estava meio resistente mas chegou um momento que começou a ficar divertido.

Pelo que entendi a "banda" tem dois vocalistas: Xandinho e Solanja. Xandinho parece com o Chong Li do Grande Dragão Branco depois da dengue e com um feixe de molas no joelho. Ele não parava nem um segundo de flexionar aquele joelho enquanto cantava naquela dancinha miserável o tempo todo. Fora isso ele insistia em mandar umas onomatopéias durante o show pra animar a galera: Turucutum Diriguidon, Piriquiti Ziriguidum, e por aí vai. O pior é que colocaram essas coisas até nas legendas! Imagine a alegria do infeliz que teve que entender e transcrever aquelas onomatopéias para as legendas. E você reclamando do seu trabalho.

Sem falar que esse Xandinho parece que tem um caso com o baterista: o Riquelme. Toda hora mandava Riquelme agitar. Riquelme pra cá. Riquelme pra lá. Percebam que virei especialista em Aviões do Forró depois dessa viagem, né?

Já Solanja é uma gordinha que na época estava grávida e que, ao invés de cantar, gritava mais que uma cacatua psicótica.

Mas enfim! Voltando à viagem...

Seguíamos naquela viagem interminável com aquele Catamarã balançando, as ondas batendo e Aviões cantando.

De tempos em tempos alguém tentava se locomover dentro do barco. Na certa pra ir pro banheiro vomitar. Mas o que eu via era o povo se batendo em tudo que é coisa que encontrava na frente. Era cotovelo batendo em cabeça, gente quase caindo em colo de gente e nego segurando no que via pela frente pra não cair no balanço do barco. Mas o mais impressionante eram os tripulantes do barco se locomovendo. Parece que eles desenvolveram uma técnica-ninja-de-locomoção-em-barco-que-balança-pra-cacete! Impressionante mesmo. Só vendo pra crer. Todo mundo caindo e se batendo e eles andando rápido de um lado pro outro sem tocar em nada. Inclina prum lado, equilibra de outro e vai embora como se nada estivesse mexendo.

Tinha um tiozinho que trabalhava no Catamarã que toda hora vinha com um saquinho de vômito com conteúdo. Se é que vocês estão me entendendo...

Como eu estava no fim do barco toda hora o tiozinho vinha com um saquinho daqueles cheio e passava por mim. As vezes o conteúdo era marronzinho (feijoada?), outras era meio verdinho (maniçoba?) e algumas vezes tinha um tom meio avermelhado (moqueca?). Não sei se essa era a única função do coitado naquele barco mas se for é uma profissão PIOR que a do legendador de Aviões do Forró. E você reclamando do seu trabalho.

Mas como o tiozinho já tinha aprendido a técnica-ninja-de-locomoção-em-barco-que-balança-pra-cacete eu não ficava com (tanto) medo dele passando toda hora com um saco de vômito de cor diferente por mim. Isso até a hora que veio uma mulher, magrinha, com uma cara de sofrimento, bem abatida, caminhando em minha direção.

À medida que ela vinha eu fui entendo melhor o que estava acontecendo. Na mão esquerda ela tinha um saquinho daqueles... bem cheio. Acho que tinha uns 500 ml de ex-comida. Se é que vocês me entendem... Acho que pra facilitar a identificação do conteúdo o saquinho era meio transparente. Tinha feijão e arroz grudados na parede interna. E lá vinha a mulher andando com aquela cara de quase-morta. Como ela não possuia a técnica-ninja-de-locomoção-em-barco-que-balança-pra-cacete com a mão direita ela tentava se segurar no que aparecesse. Tentava pegar nas cadeiras, bagageiro, cabelo de quem estivesse perto. Com a mão esquerda ela ia trazendo o saquinho cheio. Por onde ela ia passando as pessoas iam se afastando com medo do iminente banho de ex-comida. Algo, convenhamos, não muito agradável.

Nessa hora Léa resolveu me perguntar alguma coisa mas eu não estava escutando absolutamente NADA! Eu só conseguia ver aquela mulher caminhando em minha direção com aquele saco de cheiro azedo. Quando ela chegou bem pertinho de mim ela esticou o braço pra entregar o saco pro tiozinho. No momento da troca das mãos até o mar parou na expectativa do que ia acontecer mas felizmente nada demais aconteceu.

Depois que a tal mulher deixou o saquinho com o tiozinho ela resolveu passar a mão no canto da boca e tirar aquele feijãozinho que estava ali grudado e que só ela não percebia.

Depois de passado o episódio entram no barco, vindo da parte externa, uma menina completamente bêbada caindo por cima de todo mundo. Essa é a Karen...



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7 de Março de 2008

Viagem a Morro de São Paulo - Dia 4

Último dia no paraiso... Alegria de pobre dura pouco mesmo, fazer o quê. Fui então aproveitar o dia e esticar ao máximo a viagem.

Procurando um pouco de tranquilidade lá fomos nós para a 4ª praia. Léa não queria ir com medo do Guaiamum Vingador mas eu acabei convencendo ela dizendo que a gente ia para um outro lugar mais distante que aquele onde o guaiamum morava.

Ficamos de bobeira naquelas piscinas transparentes durante algumas horas só pensando na recessão da economia dos Estados Unidos, o estouro da bolha imobiliária americana e outros assuntos compatíveis com o ambiente. O mar estava mais tranquilo que mosquito em perna de tetraplégico.



Momento vidinha mais ou menos





Depois de exaustivo debate economico/financeiro com Léa resolvemos ir na tirolesa de Morro que eu, macho que sou, tinha prometido que ia descer desde o momento em que pus os pés no lugar.

Pra chegar lá é dureza. Não é uma trilha na Chapada mas é dureza. Léa reclamou desde a hora que apareceu a primeira ladeira no meio do mato até a hora que a gente chegou no topo no morro.





Passamos pelo Farol e no fim da trilha tivemos aquela visão bacana das praias de Morro de São Paulo. Até Léa parou de reclamar.



Depois de tirar umas fotos e contemplar o lugar lógico que chegou a hora da descida da Tirolesa. Na verdade nem tão lógico assim...

Achei na internet que essa é a maior tirolesa do Brasil com mais de 300 metros de comprimento e 57 metros de altura. Algo como um prédio de 14 andares.

Foi aí que eu constatei uma coisa muito interessante da natureza humana. Descobri que a sua vontade de ir numa tirolesa é inversamente proporcional ao quadrado da altura que você está em relação ao solo. Como a tirolesa de Morro é alta pra cacete quando eu cheguei lá em cima a vontade de descer na tirolesa era praticamente nula. Sumiu! Escafedeu-se!

Dá até pra deduzir a fórmula:

Vt = 1/A², onde Vt é a vontade de descer da tirolesa e A é a altura em relação ao chão.

Batizei de o Teorema da Tirolesa mas pode ser aplicado também em outros divertimentos radicais como rapel, pára-quedismo, escalada e afins.

Enfim. Descemos o morro (andando, lógico) e fomos arrumar as trouxas que logo depois do almoço a gente vai pegar o Catamarã de volta.

Voltamos a almoçar no restaurante do francês que tinha um monte de guloseimas interessantes. Comemos um crepe salgado, outro doce e mais 2 docinhos que eles fabricam. Léa que já não gosta...



Antes de pegar o Catamarã a gente deu uma passada no Forte do Morro. O sol estava se pondo e o visual era fantástico.



Depois disso entramos no Catamarã, demos um até logo a Morro de São Paulo e nem desconfiávamos que logo logo iria começar a Via Crucis da Karen. (Que Karen?)





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16 de Fevereiro de 2008

Viagem a Morro de São Paulo - Dia 3

Acordamos cedo por causa do passeio. Cedo quando eu digo é umas 8h. É cedo pra quem está de prega em Morro de São Paulo. A primeira coisa que eu fiz foi abrir a janela pra ver se os 130 reais investidos no passeio iam ter o retorno esperado ou não. Abri a janela e... estava um sol daqueles! Só alegria!

Fomos tomar café. Dessa vez eu vi logo que não tinha cebola com tomate pros gringos. Não entendi exatamente o porquê.

Continuei comendo um bolinho, uns pasteizinhos (!?) e lá pelas tantas fui pedir um ovo mexido pra "minha tia":

- Minha tia. A senhora faz um ovo mexido pra mim?
- Ôh menino... Por que você deixou pra pedir só agora que os gringos chegaram?
- Por quê?
- Ah meu filho. Se deixar esses meninos comem ovo com tomate e cebola todo dia. Não tem como não.
- Ah tá.
- Mas me dá um pão escondido que eu frito um ovo pra você.

Lógico que eu dei um pão pra ela colocar o ovo. Depois eu fiquei pensando: como é que eu vou comer esse pão com ovo sem esses 20 israelenses verem? Os gringos vão ver e vai ter uma rebelião aqui nessa pousada. Vai ser a revolta do ovo com tomate e cebola!

Recebi o pão com ovo meio que escondido e comecei a comer. Toda hora caia pedaço de ovo mexido no prato quando escapulia do pão. Os gringos olhavam o ovo no meu prato e iam pedir pra mulher com aquele português de Israel:

- Pur favou. Duis óvos.

E a mulher respondia gritando como se os gringos fossem surdos:

- HOJE NÃO! SÓ AMANHÃ!

Os gringos olhavam pra meu pão, olhavam pra ela e deixavam pra lá...

Eu comi logo aquele pão pra evitar mais estresse e fui embora que o menino da lancha já tinha ido lá na pousada me chamar que passeio já estava pra sair.

Chegamos no lugar combinado que era a uns 100 metros da pousada que eu estava. Esperamos mais alguns minutos e lá fomos para a lancha para começar o passeio.

O barco era um daqueles Flexboat meio lancha meio bote. Se ele virar lá no fundo pelo menos não afunda.



No inicio Léa estava meio tensa. Pegar mar aberto com aquelas ondas não era exatamente o que ela estava esperando.

Mas o medo logo desapareceu na primeira parada quando a gente chegou nas piscinas naturais de Guarapuá.

De cima do barco a gente conseguia ver uma quantidade inacreditavel de peixes naquela água transparente.

A gente seguia andando pelas águas e tinha que pedir licença aos peixes que se batiam na gente.



Na verdade os peixes são mal acostumados. O pessoal que ia pra lá levava pão pros peixes que já estavam viciados naquele esquema. Se deixar de ir turista pra lá é capaz dos peixes morrerem de fome porque não sabem mais buscar comida.

Teve uma menina que levou uns 10 pães pra dar pros peixes. Até Léa pegou uma ponga e deu pão pros peixinhos.






De lá paramos na praia de Itacimirim/Cueira já na ilha de Boipeba.

A praia é de cair o queixo. Não dá pra explicar a beleza do lugar. Nem com foto. Já ví muita praia bonita mas aqueles coqueiros sumindo no horizonte e nem um pé de gente pra contar história foi fantástico.



Nessa praia tem um pescador que montou uma "barraca" embaixo de uma amendoeira. Eu sentei ali naquela sombra com aquele vento bacana vindo do mar e pedimos uma porção de lagosta com 5 lagostas a 25 reais! Eu e meu amor, naquela praia linda, comendo lagosta e gastando 25 reais! Se viesse um Suriname daquele mar (como diz minha tia Vânia) e me matasse eu morria sorrindo!



Momento vidinha mais ou menos







Depois de alongar esse momento ao máximo nós precisávamos ir para a Boca da Barra em Boipeba. Ou iríamos de lancha ou seguiríamos por uma trilha. O cara da lancha fez uma pressão pra gente pagar um guia pra não ter problema de se perder no meio do mato e pra ele ir descrevendo os lugares, a fauna, a flora... E eu paguei.

O pessoal estava saindo com os seus guias e eu ví um menino sentado e perguntei se ele levaria a gente. Ele disse que sim com a cabeça. Nem abriu a boca o miserável. Só na hora que eu perguntei quanto era que ele disse que eram 2 reais por pessoa. Como eu não queria me perder no meio daquele mato eu resolvi acertar com o guri.



Pegamos a trilha e seguimos em frente. O "guia" seguia na frente... calado. A trilha seguia sempre reta e o "guia" seguia à frente... mudo. E lá fomos pela trilha. O caminho era bonito. Valeu o passeio mas a trilha era uma reta só desde a saída! Não tinha errada. Não tinha como "se perder no meio do mato".

E nessa fomos andando. O infeliz do guia começou o passeio mudo e chegou no fim calado. Fauna e flora é o cacete! Não aprendi o nome de nenhum matinho daquele, de nenhum passarinho que cantava! Nada!!! Foram os 4 reais mais perdidos da viagem. O miserável do "guia" só abriu a boca quando eu disse a ele que só ia pagar 1 real pra ele porque eu não tinha trocado.

- Aí não dá não.

Pra isso o infeliz abriu a boca. Troquei o dinheiro e paguei os 4 reais do menino.

A Boca da Barra é muito bacana também. Água quente e calma, umas 2 barracas e muita tranquilidade.

Ficamos alí naquele paraíso sem fazer nada naquela paz e tranquilidade.



Momento vidinha mais ou menos





Ficamos por alí até a saída do barco. Seguimos pelo Rio do Inferno. Deus é mais... E foi.

Chegamos em Cairú. Uma cidade histórica das redondezas. Na chegada a gente é abordado por uns 300 guias querendo mostrar o lugar.

Depois do guiazinho de Boipeba eu não queria mais saber de guia. A galera do barco foi subindo meio que junto a cidade e um guia logo se meteu no meio e descreveu a cidade que era aquela rua e nada mais...

Quando a gente chega no fim da rua tem um mosteiro e o guia pede um trocado pro pessoal. Eu virei pra ele e mandei cobrar do guia mudo de Boipeba.

Fomos entrando no mosteiro. Logo na entrada tinha um padre pegando um dinheiro do pessoal. Eu achei que o pessoal estava comprando uma camisa de lembrança.

Estávamos vendo uma igreja caindo aos pedaços quando veio um rapaz do mosteiro avisar que eram 2 reais por pessoa e quem tivesse "esquecido" de pagar era pra voltar na recepção.

Eu mandei o cidadão cobrar do guia mudo de Boipeba e fui embora.

Descendo a ladeira eu parei num bar pra beber uma água e perguntei ao dono se tinha banheiro. Ele me perguntou de volta:

- É pra homem?

Eu disse que sim que era pra mim. Aí ele apontou pro fundo do bar.

Depois daquela pergunta eu sabia que coisa boa não ia ser aquele "banheiro".



Quando eu cheguei no local e vi isso usei a velha tática de uso de banheiro químico no Carnaval de Salvador: dei uma puxada no ar do lado de fora e segurei a respiração até o fim rezando pra que a mijada terminasse logo.

Depois dessa pegamos 50 minutos de barco até chegar em Morro já anoitecendo.





Aqui nessa foto dá pra ter idéia de todo o passeio que a gente fez:



Apesar de cansados deixamos nossas coisas e fomos comer. Paramos numa pizzaria rodízio sem botar muita fé mas a surpresa foi ótima. Tudo muito gostoso. Tinha uma de calabresa com gorgonzola que era excelente.

Comi 25 pedaços e o garçom magrelo disse que eu era fraco. Ele falou que já comeu 30. Disse que teve um cara que apareceu lá que comeu 42 pedaços de pizza. Eu perguntei se o cara saiu de lá andando e o tamanho do infeliz. Ele disse que o cara saiu tranquilo e que magro ainda por cima.

Depois dessa voltamos pra pousada com as panturrilhas doloridas pra descansar um pouco que amanhã é dia de despedida.



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30 de Agosto de 2007

Viagem a Morro de São Paulo - Dia 2

Acordamos nem muito cedo nem muito tarde... Estamos a passeio. Deixa o acordar cedo pra segunda-feira.

Descemos para tomar o aguardado café da manhã da nossa pousadinha. Esquema de pobre você já sabe o que é né? Detona no café da manhã pra almoçar lá pelas 5 horas da tarde e nem precisar jantar!!! Uma das várias técnicas ninja de sobrevivência em viagens. Mas vejam que eu já evoluí de um ano pra cá: não estou mais me hospedando em albergue e compartilhando o quarto com outras 12 pessoas!

Chegamos no lugar onde era servido o café e não encontramos nada de muito especial: pães, sucos, biscoitos, bolos e... tomate e cebola!!! Como assim tomate e cebola?! Nunca comi tomate e cebola pela manhã. Na Inglaterra eu até arrisquei um feijão cozido com bacon de manhã mas nunca tomate e cebola.

Pensei em comer umas rodelas de tomate com bolo de aipim ou uma cebola com pão e manteiga pra ver qual era a boa mas acabei desistindo da ideia.



Lá pelas tantas começa a chegar umas 2 dúzias de israelenses pra tomar café. Comecei a prestar atenção no tomate e na cebola. Dito e certo! Os gringos pegaram um pão francês, abriram e tacaram tomate e cebola pra dentro. Deram uma salgadinha e por cima jogaram um ovo mexido. Uma delícia...

Eu continuei a minha técnica ninja de sobrevivência em viagens e depois do 12º pão com presunto e do 4º copo de suco achei que seria o bastante pra seguir para a praia sem preocupação com comida. Praticamente um camelo mas no lugar de água, pão!

E lá fomos nós a caminho da 4ª praia. Ô vidinha mais ou menos... A 4ª praia é a mais distante e tranquila das 4 praias do início de Morro de São Paulo. Ah sim! Aqui vai uma recomendação. Na verdade uma não-recomendação. Nunca coma 12 pães e saia pra andar 30 minutos na areia da praia debaixo do sol. Dá uma embolação estomacal sem precedentes. Sem falar na dor de facão...

A caminho da 4ª praia vi mais um serviço de táxi típico de Morro de São Paulo. Eu estava um pouco distante mas reconheci Besteira, Bobagem e Brincadeira. Eram os jegues que estavam levando o pessoal nas charretes.



Chegamos na 4ª praia e encontramos aqueles tantos quilômetros de praia praticamente só pra gente.



A praia tem um monte de amendoeiras que dão uma sombra maravilhosa e, para desespero dos nativos, de graça!

Escolhemos a melhor sombra e lá fomos nós deixar as coisas na areia pra cair no mar. Léa observou que na areia havia um monte de buracos de uns 3 cm de diâmetro... Ela me perguntou o que era e eu disse que devia ser de alguma "cobra-da-areia" que morava ali naqueles buracos. Apesar de saber que era brincadeira ela ficou meio assustada com essa história e começou a fechar um monte daqueles buracos com o pé. Eu falei:

- Essas cobras vão se retar com você! - Quem avisa amigo é!

Mas tudo bem... Seguimos para o mar e ficamos ali de molho por um bom tempo. Muita paz e tranquilidade...



Momento "Vidinha Mais ou Menos"





Voltamos pra areia e Léa resolveu ligar pra mãe dela em São Paulo pra fazer inveja Smile e matar a saudade. Eu fiquei sentado na areia ao lado dela ouvindo o papo e olhando para aquele paraíso na minha frente. Estava tudo muito calmo, tranquilo... Eu e ela estávamos relaxados e distraídos... O mar ali na frente, ondinha vindo, ondinha indo... De repente eu vejo com canto de olho alguma coisa esquisita entre eu e Léa na areia. Fui percebendo que a coisa estranha ANDAVA entre eu e ela. Quando olhei para aquela coisa que ainda não sabia o que era ví que ele era azul e tinha uma monte de patas! Era um guaiamum!!! PIOR! Era o guaiamun vingador! (música de suspense ao fundo) Eu sabia que isso podia acontecer. O guaiamum vingador, possuidor de técnicas ninja mortais, treinado pelo temido Mestre Pai Mei estava ali buscando, óbvio, vingaça.

Fiquei assustado! Pulei pra um lado e Léa, ainda distraída, continuava tranquila ao telefone sem perceber o perigo iminente. Depois que ela percebeu que eu corri para um lado ela viu na areia aquele bicho azul cheio de patas olhando pra ela. Léa sabia que ele estava ali pra se vingar dela depois que ela destruiu a entrada da casa do coitado... Na iminência de um ataque ninja mortal Léa jogou o celular pra longe e saiu correndo. A mãe dela, que estava do outro lado da linha, ficou com a boca cheia de areia!
Acabou que cada um correu para um lado. Eu fui pra direita, Léa pra esquerda, o celular pra frente e o guaiamum vingador retornou, vitorioso, para sua toca. Depois dessa nunca mais Léa tapa buraco na areia...

Recuperados do susto demos boas risadas e ficamos um pouco mais por ali apreciando a vista, o clima, o mar...

Depois fomos para 2ª praia. Aquela praia mais agitada cheia de gringo, barracas e restaurantes. Chegamos na beira da praia e estendemos a canga pra sentar. Daqui a pouco eu pego a câmera pra tirar umas fotos... O que aconteceu? A máquina quebrada de novo... Não é possível... Depois de uma sessão de espancamento ela ficou boa e agora está ruim de novo? Deve ser síndrome de mulher de malandro. E lá fui eu colocar a câmera de novo no tratamento ninja da porrada... A coitada da câmera apanhou mais do que carne de segunda. Fui ver se estava funcionando e nada. E tome porrada. A câmera tava levando mais cacete que torcedor vascaíno perdido na torcida do Flamengo. Testei mais uma vez... NADA! Já era... Deve ter sido o último suspiro dela mesmo. Fiquei pensando: As fotos que deu pra tirar deu. Agora já era!

Como a esperança é a última que morre eu dei mais umas cacetadas na câmera. A coitada apanhou mais que bode na horta. Mais que timbáu na mão de timbaleiro. Mais que teclado na mão daquele guri alemão estressado que queria jogar Unreal Tournament!

Depois da surra eu fui testar a maquina mais uma vez e... não é que a danada FUNCIONOU?! Sabia que era falta de porrada! Essa técnica ninja é infalível! Sempre que Léa se nega a pegar um copo d'água pra mim quando eu estou no sofá eu uso essa técnica e sempre funciona. Continuei tirando fotos. Tirei mais uma meia dúzia e a máquina parou novamente. Fiquei pensando se ia ter que passar a viagem toda dando porrada na máquina igual eu faço com a Léa mas acabou que eu percebi que a máquina só dava problema quando o zoom estava no máximo! Ahhhhhhhhhh... Agora tudo faz mais sentido! Sempre que usei o zoom no máximo a máquina deu problema. Com o zoom no mínimo ela sempre funcionou.

Depois disso eu fiquei até com pena da pobre da máquina, coitada. Apanhou tanto sem necessidade. Ao contrário de Léa que sempre apanha por algum motivo. As vezes eu posso até não saber o motivo pelo qual estou batendo nela mas ele sempre sabe o motivo da surra que está levando.

Lá pelas tantas os 12 pães começaram a diluir na barriga e a fome começou a aparecer. Fomos pra vila procurar um lugarzinho legal pra almoçar. Acabamos num restaurante chamado Tinharé. O mesmo nome da Ilha. Esse restaurante fica praticamente num buraco. Você desse uns 5 metros de altura até chegar nele. Nessa descida existe uma construção da arquitetura moderna de Morro de São Paulo digna de documentário do Discovery Channel. É a escada que eu batizei de escada equilibrista.





Fantástico projeto da arquitetura moderna. Com certeza essa construção demorou no mínimo uma década para ser feita e deve ter tido a particiação de um exército de Engenheiros competentíssimos...

Enfim... Chegamos no restaurante e pedimos uma moqueca de camarão. Bem cliché mesmo... Mas o cliché acabou sendo uma surpresa. A nossa moqueca veio acompanhada de arroz branco, pirão (até aí tudo bem), feijão de caldo e salada!(?) Como assim??? Além disso o pimentão e a cebola eram picados no molho... O molho parecia uma pasta de cebola e pimentão batido no liquidificador.



Somado a isso eu lembrei do milho cozido na praia e do queijo coalho no carrinho de picolé. Isso sem falar na total ausência de uma baiana vendendo acarajé na praia! É a primeira praia baiana que eu vejo sem uma baiana por barraca vendendo acarajé! Definitivamente esse Morro é de São Paulo e não da Bahia...

Já comido (lá ele) fui comprar um passeio que faz um tour em volta da ilha visitando vários locais interessantes. Procuramos em diversas agências mas o preço era tabelado: 65 reais por pessoa "apenas". Como todo mundo que eu pedi uma dica me recomendou esse passeio acabamos comprando... Resta saber se amanhã vai fazer sol ou se os 130 reais vão ser levados pela chuva.

Voltamos à tardinha pra pousada pra descansar um pouco... À noite voltamos para a vila e paramos num Café: O Café das Artes. Lugarzinho bem interessante que servia uns cafés bem variados. Acabamos pedindo um Mocha e um Frappé e ficamos ali olhando a vila à noite...



Momento "Vidinha Mais ou Menos"





Voltamos pra pousada já tarde pra descansar que amanhã vai ter o super passeio de lancha pela ilha... Ah sim! Lá pelas tantas eu e Léa sentimos um cheiro estranho... Não fui eu que peidei se é isso que você está pensando... Vinha do quarto do lado onde estavam reunidos alguns daqueles israelenses comedores de tomate com cebola... Dessa vez eles estavam queimando algo... Me pareceu ser orégano... Deve ser alguma receita lá de Israel...



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21 de Maio de 2007

Viagem a Morro de São Paulo - Dia 1

Pois bem... Chegamos em Morro com o tempo nublado e a chuva bem fininha... Qualquer coisa perto daquele dilúvio histórico de Salvador é chuva bem fininha...

Descemos do catamarã e logo no pier você já é abordado por umas 150 pessoas querendo te indicar essa ou aquela pousada. Irrita um pouco mas nada demais. As abordagens continuam por todo lugar que você ande até você tirar a mochila das costas na pousada e perder aquele jeito de turista recém-chegado.

No pier ainda, tem também um monte de menino com carrinho-de-mão pra levar as malas e sacolas dos turistas. Como em Morro de São Paulo as ruas são de areia e existem muitas ladeiras tem muita gente que usa o serviço desses caras pra carregar as malas. São os táxis da cidades...



Saindo do pier você se depara com um portal de entrada. Bem antigo. Dá bem o clima do lugar. E logo depois tem uma ladeira miserável. Daí você começa a entender porque tem tanto menino querendo levar as malas dos turistas. E o mais importante... Por que tem tanto turista que entrega as malas pros meninos levarem.



Vencida a primeira ladeira você se depara com uma igrejinha e mais um pouco a frente um descampado maior e a uma rua cheia de restaurantes e agências de turismo. Seguindo essa rua você chega até a praia. Essa é a "vila"...





Para minha grata surpresa os restaurantes da vila eram ótimos... E não eram muito caros não. Quer dizer... se você está acostumado a tomar cerveja no Chuleta e comer PF de 5 reais no Bar do Chico vai achar as coisas caras. Se você costuma ir em alguns restaurantes mais bacanas vai achar tudo na mesma. Mas o preço é bem compatível com a qualidade na maioria das vezes.

Continuamos descendo a ruazinha de areia da vila até chegar na praia. Lá pelas tantas você se depara com esse quebra-mola de carrinho-de-mão. Perguntei na vizinhança e soube que houve um engavetamento de 5 carrinhos-de-mão com vítimas que saiu até no Jornal Nacional. Depois disso construíram o quebra-molas pra controlar a velocidade dos "motoristas".



Continuei o meu caminho até a pousada. Fui desviando de dos nativos oferecendo pousada de tudo quanto é "marca" e me enfrentando as ladeiras pra descer o Morro. Só aí você entende porque o nome desse lugar é MORRO de São Paulo. Aí você, com aquela mochila pesada nas costas, pensa: "bem que podia ser Planície de São Paulo, né não?! Essa história de Morro é muito cansativa!"









Depois dessa corrida cross country de subidas, descidas, quebra-molas, disputa com carrinhos-de-mão e desvio de nativos-oferecedores-de-pousadas-diversas você se depara com essa vista e pensa: "valeu a pena".



Essa é a segunda praia. A primeira praia fica logo a esquerda mas a segunda praia é onde tudo acontece. Seguimos por ela até chegar na nossa pousada na terceira praia.



Chegamos na terceira praia rapidinho. A terceira praia é mais calma que a segunda e é de onde saem os passeios de barco.





Achamos a pousada e fomos deixar as coisas. Quando chegamos no quarto a primeira coisa que eu fiz foi olhar a câmera de novo. Eu não me conformava que ela não estava funcionando. Peguei a câmera na mão e comecei a dar tapa nela. Pow! Pow! Pow! E cantava no melhor estilo do Pagod'art: "Se você quer tome! Quer? Quer? Tome! Tome! Tome!"

Léa me perguntou se era alguma técnica ninja de conserto mediúnico de eletrônicos. Eu disse que pior não podia ficar não é verdade!? Pois é. E pra minha surpresa, como todos já devem ter percebido pela quantidade de foto que eu já coloquei aqui, a miserável voltou a funcionar!!! Graças aos ensinamentos de Alan Kardec e o conserto de Dr Fritz vamos ter fotos do Morro de São Paulo!

Na pousada percebemos que depois de tanta chuva as roupas estavam todas molhadas dentro da mochila. Tivemos que tirar tudo e estender pelo quarto em tudo quanto é canto. Coisa de pobre... Nessa hora eu lembrei do Ronaldo que fala que mala é coisa de pobre. Ele chega na cidade e compra tudo de novo. Imagine o que ele ia dizer de uma mochila cheia de roupa molhada e um monte de roupa estendida pelo quarto.

Pois bem... Deixamos as coisas e fomos almoçar porque que as lombrigas já estavam se mordendo de tanta fome... Ficamos pelas barracas da segunda praia mesmo e almoçamos com o pé na areia, olhando o mar ali perto e descansando da viagem e da corrida cross country modalidade mochila nas costas.


Momento "Vidinha Mais ou Menos"



Depois do almoço seguimos para a beira da praia. Existe na beira da praia um monte de cadeiras daquelas de plástico tipo espreguiçadeiras, sabe? A maioria ocupadas por gringos. Eu achei ótimo. Pensei: Vou chegar, ficar numa dessas, debaixo de um super sombreiro e vou tomar uma cerveja o dia todo aqui na beira da praia. Ôh ilusão!

Fui chegando perto das cadeiras meio desconfiado e um nativo chega pra conversar. Ele sentiu o cheiro de pobre a vários metros de distância. Não posso fazer nada. Por mais que eu disfarce, a miséria do ranço de pobre fica. Não tem jeito. Até o dono das cadeiras de praia de Morro de São Paulo percebeu... E lá veio ele muito educado:

- Olá. Tudo bom. - Na verdade ele devia estar pensando assim: "Olá seu pobre. Vou dizer quanto custa pra deitar nessa cadeira e você vai embora!"
- Oi. Tudo bom?
- Está querendo utilizar nossas cadeiras? - E pensava: "Diz que sim pra eu te dizer o preço, pobretão!"
- Ah sim, claro! É das barracas não é?
- Não senhor. Cada cadeira custa 10 reais pra deitar. - E no pensamento ele dizia: "Pronto meu filho. Agora que sabe o preço vai logo saindo daqui pra não espantar os gringos que pagam em Euro."
- 10 reais? Por cadeira?
- Isso. - E pensando: "Além de pobre é surdo, o miserável!"
- DE GRAÇA!!! Deixa eu sentar ali na areia então pra ter dinheiro pra comer à noite meu velho. - E fui embora...

Fui andando um pouquinho mais e arrumei um lugarzinho na areia pra sentar... dessa vez de graça.

O céu estava encoberto. Mas pra mim eu estava no lucro total! Há poucas horas eu estava ensopado na rua com água dando na canela!!! Agora, de sunga, na beira da praia, era praticamente um milagre de Frei Galvão. É que eu viajei com uma foto do Frei Galvão no bolso pra ver se ele falava com São Pedro pra parar a chuva. Nada melhor que um santo brasileiro pra interceder a favor do sol numa praia baiana não é verdade? Dá-lhe Frei Galvão...



Lá pelas tantas fomos na água. Com a mesma vontade que eu entrei na água eu saí. Que água gelada desgraçada! Estava muito gelada mesmo... E as gringas branquelas se divertindo na água. A água devia estar mais quente que na Noruega por exemplo. Deduzi pela cor da pele e a animação delas naquela água gelada.

Voltamos pra areia... Ficamos ali "de prega" naquele lugar "feio" apreciando a "feiura" do lugar.



Momento "Vidinha Mais ou Menos"



Enquanto a gente via o tempo passar quem passa pela nossa frente? Um carrinho que vendia queijo coalho assado. Queijo coalho é comum em Salvador. Com melaço e orégano é excelente. Mas num carrinho desse tamanho eu nunca vi não. Deve vender muito queijo por essas bandas de cá.



Continuava tudo tranquilo... mas de repente me aparece um carrinho que vendia milho cozido (?). Milho cozido na praia??? Só aqui em Morro de São Paulo pois eu não tinha visto isso em lugar nenhum da Bahia.

E não é que Léa teve a vingança tão aguardada? Há alguns anos eu brinquei com ela dizendo que só em São Paulo vendia milho cozido na praia. Que isso não existia em lugar nenhum. Clique aqui para relembrar a história antiga. E hoje veio a prova que praia é mesmo lugar de milho cozido. Será? Eu ainda prefiro a minha acarajé com camarão e vatapá. Vai entender... Eu até perguntei ao menino se ele vendia isso há muito tempo ali. Ele disse que tinha uns 7 anos que vendia milho cozido na praia. Pelo jeito esse costume é mais velho do que eu pensava.





Como a praia não estava quente o suficiente e a gente estava cansado da viagem voltamos pra pousada pra tirar um cochilo. Acordamos mais tarde e fomos passear na vila à noite. O lugar é ótimo! Tudo bonitinho, muitas opções de restaurante, muita coisa interessante pra ver e um monte de gringo passando pra tudo quanto é canto: italianos, espanhois, israelenses, ... Se duvidar tem mais gringo que brasileiro. Inclusive os donos dos restaurantes, por exemplo.











Tem até essa estátua desse rapaz tentando achar o bingolinho nessa loja de "arte"...



A gente deu uma paradinha num restaurante de um francês que chama Oh la la! Bem simpático o lugar. Cheio de guloseimas francesas de padaria. Daquelas que envolvem farinha de trigo, açúcar e aumento de peso pra quem come. Também atacamos um waffle com chocolate e sorvete. Delícia!



De lá voltamos pras praias. Muita gente nas praias a noite também. Ficamos ali pela segunda praia e fomos beber alguma coisa numa barraca.

A noite eles armam um monte de barraquinhas de rosca. Um monte! E tem fruta de todo gênero, número e grau!!! Tinha fruta que eu nunca tinha visto... Acabou que eu tomei um drink chamado Jamaica. Era uma roska com meia dúzia de frutas misturadas. A mistura não deu muito certo não mas enfim...



Depois dessa já era tarde e fomos dormir porque amanhã o sol promete!



Viagem a Morro de São Paulo

A Ida, Dia 1, Dia 2, Dia 3, Dia 4, A Volta (parte 1), A Volta (parte 2)

6 de Maio de 2007

Viagem a Morro de São Paulo - A Ida

Pois bem... Feriadão sabe como é que é né? Pobre tem que arrumar um lugar pra viajar. Rico não tem esse problema. Rico quando quer fazer alguma coisa vai e faz! Tá a fim vai fazer compra na Oxford Street em Londres numa sexta-feira? Vai e ainda volta a tempo de fazer um passeio de iate na Baia de Todos os Santos. Tá a fim de curtir as praias da Grécia? Vai e ainda fica 15 dias porque estava "muito estressado" e passando "por uma fase complicada da vida".

Então... Eu, como bom pobre que sou, deixei de jantar 15 dias, passei um mês sem sair de casa nos fins de semana e ainda me endividei todo no cartão de crédito mas fui pra Morro de São Paulo. Que maravilha!

Léa, no início, ficou se amarrando pra pagar a fortuna dos 50% de reserva da pousada antecipadamente sem saber se ia chover ou não no feriadão. Acabou que depois de muita conversa pagamos a reserva e torcemos pra que São Pedro colaborasse.

Com exatos 10 dais de antecedência eu comecei a olhar a previsão do tempo em Salvador. Coloquei nos meus favoritos e todo dia pela manhã abria a página da previsão do tempo. Na semana anterior ao feriadão Salvador, que estava fazendo um sol de lascar, começou a chover sem parar. Alegria de pobre dura pouco mesmo.

O dia ia chegando, a chuva em Salvador continuava e a previsão dizia: Parcialmente nublado. Tá ótimo! - pensei. Se vai estar parcialmente nublado a gente caminha pra onde está parcialmente com sol e curte a praia.

O dia ia se aproximando cada vez mais e a previsão do tempo dizia: Pancadas de chuva. Como pancada de chuva não machuca nem fiquei muito triste. Uma hora o sol ia abrir.

Até que na véspera da tão sonhada viagem a previsão do tempo dizia: Chuvas e trovoadas. Lascou! Vou pra Morro de São Paulo curtir trovoada em quarto de pousada? Mas agora Inês é morta e eu não ia perder a fortuna do adiantamento da pousada. Vamos ver no que vai dar...

E começa a aventura... Acordamos sábado cedinho e fomos pegar um ônibus até o pier do Mercado Modelo pra pegar o catamarã. Chegamos no ponto de ônibus e começou um chuvisquinho bem light. Beleza! Pra quem estava esperando "chuvas e trovoadas" um chuvisquinho a gente tira de letra!

A viagem de ônibus começou e o que era chuvisco virou dilúvio. Era muita chuva em Salvador. Pense num pé d'água! A gente ia andando pela cidade e eu só via chuva. Quando a gente estava chegando a gente passou por uns viadutos e na parte debaixo a gente via as ruas alagadas e paradas! E eu pensava: 4 dias dentro do quarto da pousada com aquela praia linda lá fora...

Quando chegamos na Praça da Sé e tentei pagar o frescão com uma nota de 50 reais o motorista me disse o que eu já esperava: "não tenho troco". Eu já tinha tentado trocar o dinheiro antes mas não teve jeito. Agora eu ia ter que conseguir de qualquer jeito. E lá fui eu procurar um lugar nas redondezas pra trocar o dinheiro. O problema era o dilúvio! A chuva era demais... E lá fui eu de havaianas e mochila nas costas trocar o dinheiro. Eu comecei a ficar completamente encharcado. Dos pouquíssimos lugares que estavam abertos nenhum conseguia trocar o dinheiro. Quando eu desisti de procurar liguei pra Lea que ficou no ônibus e ela já atendeu dizendo que o cara conseguiu o dinheiro. Felizmente... Eu estava molhado até a alma e ainda ia ter que andar até o pier pra pegar o catamarã.

Fiquei esperando com Léa uns 5 minutos pra ver se a chuva diminuia. Aí pensei: O que é um peido pra quem está todo cagado? Pois então. Já estava todo molhado mesmo então lá fomos nós. Descemos o Elevador Lacerda, andamos até o Mercado Modelo e agora teríamos que caminhar uns 100 ou 200 metros até o pier do catamarã.

Nesse momento nós estávamos completamente molhados, nem a alma estava seca. Os dois com as mochilas nas costas e havaianas no pé. Em clima de praia: de bermuda e camiseta. Hehehe. Olhamos para aqueles últimos metros sem nenhuma arvorezinha pra diminuir a chuva e pensei: O que é outro peidinho pra quem já está todo cagado? Eu olhava uns gringos andando também até o pier e eles lá caminhando calma e lentamente. Eles estavam mais resignados do que nós. Já que não tinha jeito lá fomos nós. Sem muita pressa. As ruas pareciam rios. Tinha até correnteza. Quando a gente está pra chegar tem uma rua mais baixa que a água deu na minha canela. Sem exagero. Sem pressão. A água passou do tornozelo e estava dando na canela. E eu lá tentando andar de havaianas... Lembro que os últimos passos fiz com um pé no chão e uma havaianas quebrada na mão...

E chegamos totalmente encharcados debaixo de algum teto para esperar o catamarã. E foi assim que começou o meu feriadão para Morro de São Paulo. E eu só fico imaginando o infeliz do rico que pegou o carro importado, largou no estacionamento do aeroporto, pegou um bimotor que custa 3 vezes mais que o catamarã e vai chegar em 20 minutos em Morro. Eu ainda tenho 2 horas dentro de um barco pra chegar lá.

Depois de alguma espera pegamos o catamarã, sentamos no fundo e começamos a viagem. Na saída do pier eu fui tirar umas fotos do dilúvio que caía sobre Salvador para registrar mas para a minha surpresa as fotos saíam todas brancas, estouradas como se diz. Eu não acreditei. A minha máquina tinha dado mais uma vez um problema que não deixa o obturador fechar e todas as fotos saiam estouradas. Pelo jeito o problema voltou. Puta que pariu! Eu tinha usado a máquina poucos dias antes e tudo funcionava bem. Se eu soubesse que ela estava ruim pegava alguma maquina emprestada, mandava consertar, enfim. Pois bem... pelo jeito as imagens de Morro vão ficar só na memória. Frown

A viagem prosseguiu tranquila pois o mar estava mais ou menos calmo. O Dramin estava fazendo efeito e tinha até um soninho rolando mas eu não conseguí dormir. Lá pelas tantas tive que ir no banheiro dar uma mijadinha. Foi triste!

Você já entrou em banheiro de catamarã? É pior que banheiro de avião. É pior que banheiro de ônibus em estrada esburacada. É tão apertado quanto, só que o barco não para de balançar! Balança de uma lado pro outro, de um lado pro outro, de um lado pro outro... É um balançar infinito! Isso porque o mar estava tranquilo! E aí foi que começou o desafio: acertar o mijo no vaso! Não é pra qualquer um não amigo. Tem que ter várias técnicas ninja! Uma para se apoiar e não cair, outra pra segurar o dito e a última parar mirar o mijo naquele alvo, que era o vaso, que ficava balançando de um lado pro outro.

No início, ainda não tinha apurado minhas técnicas ninja de mijar em banheiro de catamarã e por isso comecei com uma mão no dito e outra afastando a bermuda pra baixo. Lógico que não deu certo. Na primeira balançada eu bati minha cabeça na parede e tive que tirar a mão da bermuda pra me apoiar. Como é tudo muito apertado dentro do banheiro lembro que o jato de mijo começou no vaso e terminou na pia. Na segunda balançada o jato de mijo saiu da pia e voltou pro vaso. Meu cacete parecia mais uma mangueira de bombeiro desgovernada jogando mijo pra tudo que é canto. Lembro que o mijo acertou tudo dentro daquele banheiro menos o infeliz do vaso. Mirar o mijo no vaso é algo que exige habilidade fora do comum! Acho que todo passageiro deveria fazer um curso de mijo em alto mar antes de entrar no catamarã. E digo mais! Poderiam introduzir essa nova modalidade nos jogos do Pan! Seria o mijo ao alvo aquático. Não é pra qualquer um não...

Voltei pra minha cadeira. O banheiro era só mijo. Não era a minha intenção mas enfim...

Lá pelas tantas a natureza me chamou mais uma vez. Lá vou eu de novo bater aquele mijão mas dessa vez com técnicas ninja apuradas! Fiz tudo como da primeira vez: uma mão afasta a bermuda e a outra segura o dito. Só que dessa vez eu me joguei na parede. Como o vaso era num dos canto do (minúsculo) banheiro tinha uma parede em quina na parte oposta. Eu me joguei ali naquele canto, me apoiando com as costas e todo torto tentava mirar o mijo no vaso distante. Dessa vez o sucesso foi bem maior. Acho que acertei no vaso uns 60% do mijo. Sucesso! E digo mais... Essa poderia ser outra modalidade do Pan desse ano. Seria o mijo ao alvo aquático a distância!

A viagem continuava... E a maior parte do tempo eu ficava meio que sentado meio que deitado na cadeira - fora as idas pro banheiro, lógico Laughing - olhando para um ponto fixo pra não enjoar. O ponto fixo era quase sempre uma TV onde passava um DVD com uma compilação de músicas do Chiclete, Asa, Daniela e adjacentes, pra galera ir entrando no clima de praia, apesar da chuva lá fora. Tudo normal até aí. O interessante era só quando passavam as músicas do Asa. Todas as músicas do Asa vinham acompanhadas de legendas em inglês! Acho que pra gringaiada acompanhar. Agora pense numa tradutora ninja pra traduzir as músicas do Asa de Águia! Era hilário acompanhar aquilo em inglês. Hilário porque as letras na maioria do tempo eram patéticas mesmo e também em imaginar o esforço da tradutora pra traduzir músicas como Dança da Manivela (só assim pra eu aprender como era manivela em inglês), Dança do Vampiro (dente pra cá, dente pra lá virou tooth comes, tooth goes, hehehe) e outras pérolas. Coitada da tradutora. Mas o melhor mesmo foi quando Durval Lelys começou com o Asa Arrêa. Ficou bem uns 5 minutos falando o Asa Arrêa! Arrêa, arrêa, arrêa... E não é que a tradutora ninja traduziu? Virou: Asa Rules! Rules, rules, rules! Laughing

E assim fomos. Uma mijadinha aqui, Asa rules ali e 2 horas de viagem depois chegamos em Morro de São Paulo quase meio dia...



Viagem a Morro de São Paulo

A Ida, Dia 1, Dia 2, Dia 3, Dia 4, A Volta (parte 1), A Volta (parte 2)

1 de Fevereiro de 2007

Zé Roberto, o stripper!

- Alô. Eu queria falar com Larissa.

Pois é pessoal. Mais uma daquelas histórias de nego ligando pra mim querendo falar com num sei quem... Vamos dar trela a coitada...

- Oi... É... Quem está falando? - Sempre dou aquela pausa pra poder me preparar e ativar o lado inventativo (ou seria inventatório?) do cérebro.
- É a Margarida. É que me indicaram Larissa pra fazer uns trabalhos de Autocad e eu queria falar com ela.
- Ah sim... AutoCAD. - Já sei mais ou menos o terreno da conversa - É o seguinte Dona Margarida. É que a Larissa não veio hoje. Ela está com uns probleminhas.
- É mesmo rapaz... - falou em tom meio de decepção - Quem está falando?
- Maurício. Meu nome é Maurício. (!) Pois então Dona Margarida - nessa hora tive vontade de apelar pro velho problema da caganeira mas dessa vez eu mudei a história - É que ela tem um problema aí com álcool e as vezes ela falta...
- Ah meu filho. Isso é terrível mesmo...
- Pois é. Ela tem alcoolismo e as vezes ela falta o trabalho.
- Ah não meu filho. Porque eu usei bem o que é isso. Não estou falando do caráter nem nada mas é o compromisso! É o compromisso!!! Eu tenho um cunhado com esse problema e é terrível!
- Pois é. A senhora entende então. Mas tem aqui o Zé Roberto que também faz trabalhos em AutoCAD. Só um instantinho...

Nessa hora um colega meu aqui já estava olhando pra mim e dando risada quando eu disse que era Maurício. Aí eu quis passar a bola pra ele já que eu não ia ter a cara de pau de mudar a voz e continuar a conversar com a mulher.

Expliquei pra ele a situação e mandei ele dizer que estava cheio de trabalho e não podia pegar mais... O infeliz não quis. O que aconteceu? Tive a cara de pau de continuar a conversa com a mulher.

Depois de deixar a mulher esperando por meia hora eu volto a conversar com ela com a voz um pouco diferente:

- Alô. Dona Margarida?
- Oi Zé Roberto. Eu queria fazer uns trabalhos com você em AutoCAD será que a gente pode fazer?
- E como seria esse trabalho Dona Margarida.
- É trabalho de interior Zé Roberto. Só a planta baixa mesmo. É simples...
- Hmmmm... Sei...

De repente ela para de conversar comigo pra conversar com alguém sobre algum acidente envolvendo alguma escada em alguma obra... Depois d'eu ficar 3 minutos esperando ela fala:

- Espera só um pouquinho Zé Cobra (!?).

Hein? Zé Cobra? Mas tudo bem... Me deu até uma idéia. Mais 2 minutos e ela volta pedindo disculpa e explicando o tal acidente pra mim. E continuou:

- E então Zé Roberto (!), quanto será que você cobra isso pra mim?
- É só isso mesmo né? É interior que a senhora quer né?
- É sim... Eu já vou te passar os móveis e tudo já em escala.
- Em esacala né? Ótimo! Isso facilita muito a minha vida...
- Pois é Zé - já íntima - Eu sempre fui uma ás no desenho. Desde pequena. - ás e humilde pelo que eu entendi - Mas é que tenho muita coisa pra fazer. Os meninos estão tomando meu tempo e tem a obra... Eu queria pedir pra alguem fazer o desenho entende?
- To entendendo.
- E aí? Quanto que você me cobra pra fazer isso?

Como eu não tinha a menor noção de preço e pegando o gancho dela me chamando de Zé Cobra eu preferi mudar um pouco o rumo da conversa...

- Mas a senhora quer os meus serviços né Dona Margarida?
- É Zé Roberto. Queria esses desenhos aí no AutoCAD.
- Mas é AutoCAD AutoCAD mesmo?
- É... Por quê?
- É que na verdade Dona Margarida quando o pessoal liga pra cá perguntando sobre serviço de AutoCAD é só uma senha, entende?
- Senha? Como assim?
- É que na verdade a noite eu sou um stripper! E as mulheres ligam pra cá pra pedir meus serviços de stripper.
- Mas como assim? O que é isso? Mas me deram esse número pra fazer trabalho de AutoCAD!
- Eu sei... Mas essa é só uma senha. É que a gente não pode colocar no jornal serviço de stripper entende? E aí a gente colocou essa senha só para as clientes conhecidas e as amigas entrarem em contato.
- Então quer dizer que você não vai fazer o meu desenho. É isso?
- O desenho não mas eu posso fazer muito mais pela senhora Dona Margarida. A senhora não tem interesse nos meus serviços de stripper não?
- Mas... Desculpa a minha ignorância meu filho. Mas o que é stripper? - com voz meio de sem graça.
- Ha ha ha ha - dei risadinha meio sacana - A senhora sabe aqueles rapazes que vão em festas e tiram a roupa Dona Margarida?
- Sei sim...
- A senhora lembra do clube das mulheres?
- Sei.
- Então... É algo desse tipo. A senhora não teria interesse não?
- Ah não meu filho... Não tenho não...
- Mas é um trabalho muito interessante Dona Margarida. Sei que a senhora iria gostar. Eu posso só começar tirando a roupa e depois nunca se sabe o que pode acontecer não é verdade?
- Eu sei... Mas não meu filho... Eu não tenho interesse não.
- Mas a senhora podia se juntar com umas amigas e fazer uma festinha, hein?
- Não... Acho que não.
- Se a senhora quiser eu posso mandar um convite pra senhora quando eu for fazer uma festinha pra senhora conhecer? Que tal?
- Que nada... Eu não tenho tempo pra festa não meu filho. Tem os meninos pra tomar conta, tem a obra aqui. O pedreiro ainda inventa de cair da escada hoje. Não tô tendo tempo nem de fazer o desenho no AutoCAD!!!
- Mas o meu serviço é muito mais prazeroso do que um desenho de AutoCAD!
- É eu imagino mas não quero não...
- Que pena. A senhora tem uma voz tão macia. Tão GOSTOSA! - Bem sacana. Hehehe!
- Tá bom... Mas eu vou indo. Mas vem cá... Você não conhece ninguem que faça desenho em AutoCAD não???

Hehehe! Quero ver se um dia essa mulher vai ligar procurando por Zé Roberto. Ela já sabe que Zé Roberto não faz desenho em AutoCAD...

16 de Janeiro de 2007

Fizz-Keeper 2: O retorno!

Definitivamente o Brasil está com um pé no primeiro mundo!!!

Estava eu caminhando pelo Shopping Barra quando eu resolvo comprar um daqueles abridores de vinho bacanas porque o meu velho está empenado. Passo em algumas lojas de presentes mas não encontro o que quero. Me bato com aquela loja de importados. King Market é o nome se não me engano. Procurei o abridor mas não achei. Continuei pela loja e de repente me bato com ele. Sim caros amigos. Eu encontro o meu amigo velho de guerra o Fizz-Keeper! O guardador das bolhas do refrigerante. Aquele que garante a Coca-Cola de 2 litros até o fim!

Quem não lembra dele é melhor ler esse post antigo clicando aqui.

E não é que eu me bato novamente com esse apetrecho doméstico utilíssimo? Foi um momento de êxtase! O antigo ficou lá pela Inglaterra perdido em algum lugar. A partir daquele momento eu sabia que não ia mais jogar fora as minhas garrafas de 2 litros de Coca-Cola pela metade.

Catei ele e ví que era o Fizz-Keeper mesmo. O orignal. Igualzinho ao que eu tinha comprado na Inglaterra tempos atrás. Mas não foi só isso. Eu começo a olhar um pouco pra esquerda e o que eu vejo??? Fizz-Keeper 2: O Retorno! Imagine a minha emoção ao descobrir que existia o Fizz-Keeper 2! Agora com uma bombinha para injetar o ar e não aquela bolsa de apertar! Fantástico!

Poderia ser mais barato é verdade. Custou 20 reais. Mas ele se paga lá pela 5ª garrafa de Coca-Cola. Mas o importante mesmo é valor sentimental que é muito maior... E da série posts proféticos vejam que no post anterior eu falo em exportar o Fizz-Keeper pro Brasil por 20 reais. Acho que alguém teve a mesma idéia!



E da série coisas estranhas que a gente vê quando põe os pés fora de casa em Salvador...

Pra você que quer subir na vida mas não quer ser arremessado pra cima em uma explosão de carro-bomba no Iraque existe uma outra opção... Faça como esse figura aí que eu me bati ali no Rio Vermelho, suba na vida e veja tudo de cima... Smile

14 de Dezembro de 2006

Alô? É da Minilab?

Definitivamente o meu telefone direto aqui do trabalho é muito parecido com o telefone do setor financeiro da Minilab do Rio Vermelho. Não foi a primeira vez e pelo jeito nem a última. Hoje teve mais um trote por demanda para alguém a procura de serviços fotográficos:

- Alô
- Oi. Eu sou Suzana da Zoom e gostaria de falar com Silvana.
- Oi Suzana. É que a Silvana não está no momento mas será que eu poderia te ajudar?
- Será que você pode me ajudar...

Pronto... Pode deixar que eu vou te ajudar Suzaninha... Fique tranquila!

- Claro. Qual o seu problema? - Disse eu.
- Então. É que eu preciso pegar um cheque com vocês e eu queria saber se esse cheque vai estar pronto amanhã a tarde pra mandar o menino passar aí pra pegar.
- Pegar o cheque né? Sei... De quanto é o cheque mesmo Suzana?
- 150...

150 conto?! A Minilab fica segurando um cheque de 150 conto? Puta que o pariu!!!

- Ah tá! Pode passar amanhã sim... Você está pensando em vir que horas?
- No final da tarde.
- Certo. Mas... Suzana, você não quer passar aqui hoje não?
- Hoje? Não dá. Hoje não dá mais não...
- Tá bom... Então venha amanhã de manhã. No primeiro horário logo. Que acha?
- Hmmm... Pode ser sim. Pode ser. Eu vou mandar o menino aí pela manhã. Umas 10:30. Ele vai na rua umas 10h e eu mando ele aí umas 10 e meia.
- Tudo bem. Se quiser pode mandar até antes...
- Pode mesmo? De amanhã não vai passar mais não né?
- Não. Que é isso... Eu queria até pedir desculpa a você mas foi um imprevisto mesmo o que aconteceu. Amanhã de manhã você vai receber o seu cheque com certeza.
- Que ótimo. Como é seu nome mesmo?
- André.
- Posso então mandar o boy falar diretamente com você né André?
- Pode sim. Amanhã pela manhã estarei aqui também. Mande ele falar comigo ou com Silvana.
- Pronto... Perfeito! Agora André, deixa eu só confirmar o endereço aqui com vocês...

Vixe. E agora? Onde é que fica a Minilab? Sabe Deus...

- Qual o endereço que te passaram Suzana? - Wink Sou menino?!
- Fica na Conselheiro Pedro Luiz, 510 no Rio Vermelho, não é isso?
- Exato. Rua Conselheiro Pedro Luiz, 510 no Rio Vermelho.
- Perto do Largo da Mariquita né?
- Exatamente. Perto do Largo da Mariquita.
- Ok então.

Mas eu achei q estava sendo bonzinho demais. Vamos complicar a trama...

- Mas Suzana... Esse é o endereço da loja! Pra pegar o cheque você tem que vir buscar aqui no Administrativo. Aqui em Lauro de Freitas - Uns 20km de diferença apenas. - Na Rua Ticiano Barbosa, 220.
- Nossa. Em Lauro de Freitas?
- É sim.
- Mas da outra vez ele foi pegar aí no Rio Vermelho.
- Pois é Suzana. É que estavam acontecendo uns problemas e agora só aqui no Administrativo mesmo.
- Que jeito?! Então o menino deve chegar aí quase 12h.
- Não tem problema. Eu deixo o cheque pronto.
- Então tudo bem. Mas tem uma placa Minilab grande? É tranquilo de achar?
- FA-CÍ-LI-MO! Tem uma placa enorme. É super fácil de achar. Ele vai encontrar rapidinho. Você vai ver! - Hehehehe!
- Tudo bem então. Amanhã eu mando o menino dar uma passada aí. Obrigada mais uma vez André. Só você que resolveu o meu problema. Tem uma semana que eu ligo direto pra aí e não conseguia resolver.
- Pode contar comigo dona Suzana. Sempre que precisar peça pra falar direto comigo.
- Ahhhh... Pode ter certeza que vou ligar direto pra você.
- Disponha...

Mais um cliente satisfeito...

Da próxima vez eu vou pedir o telefone da pessoa pra eu poder ligar depois e saber o que diabos realmente aconteceu... E mandar o menino ir em Lauro de Freitas de novo!!! Hehehe!


E aqui Sassá (vulgo Marceleza, também conhecido como Marcelo) se mela todo (e ao chão), no aniversário de Daniel, com um doce daqueles que tem uma uva dentro. Ao que parece a uva estava em estado líquido por que a meleira foi grande. Aline ainda tentou ajudar mas o estrago já estava feito...

      

Sem esquecer a frase da noite. Para a posteridade:

- Me xingue aí Marcelo!!!
- BOBO!

13 de Dezembro de 2006

O queijo gorgonzola

Sei que sou pobre mas sou "osado", como se diz aqui na Bahia. Posso não ter o dinheiro necessário para ter tudo que quero mas de vez em quando eu me dou ao luxo de ter um pouquinho.

Eu e Léa estamos passando por uma fase ultra-light. Nosso carrinho de compras no supermercado se resume a artigos que apodrecem em 1 semana. Incluem-se aí alfaces, cenouras, brócolis, frutas e outras coisas que só passarinho e urso panda comem.

A noite um dos pratos costumeiros é salada feita com essas "guloseimas". Acontece que a salada precisa de alguma coisa que dê "sustança", saca? Aí eu compro pra acompanhar kani, presunto defumado, salame, queijo, essas coisas.

E aí se encontram na historia a minha porção "ultra-light" com a minha porção "pobre osado". Estava eu paquerando a sessão de frios do supermercado procurando acompanhamentos para as minhas saladas noturnas. De repente me deparo com um queijo gorgonzola. Daqueles bem cremosos, cheio de furos e todo verdinho. Bem feio. Bem fedorento. Bem gostoso. Na hora me deu água na boca. Eu catei o queijo na mão e mostrei pra Léa:

- Olha pra isso amor que delicia...
- Argh! - Foi tudo que ela disse.
- Mas meu bem. É tão gostoso... Sente o cheiro aqui!
- Argh! Fede demais!
- Exato! QUanto mais fedorento mais gostoso!!! - O que é verdade...

Ela não tem noção do que está perdendo. Tudo isso porque o queijo tem cheiro de defunto em decomposição e a aparência lembra um ralo de banheiro cheio de limo??? Só por isso? Que bobagem!



Só porque os fabricantes injetam no queijo uma meia dúzia de bactérias e mais uma outra porção de fungos fedorentos??? Só por isso? Bobagem!!!

Se o homem desistisse de comer tudo que fosse feio e fedorento... Enfim... Deixa quieto. Eu estava pensando nas ostras mas talvez você não. Esquece. O que importa mesmo é que o queijo é gostoso (e a ostra e outras coisas também, enfim)...

E daí que eu me rendi aos meus impulsos consumistas e resolvi comprar o queijo... Não um queeeeeeeeeeijo. Nada disso. Uma fatiazinha bem fininha do que já deve ter sido um queijo gorgonzola. E da marca mais barata!!! Tinha queijo que era 50 reais o quilo, 55 reais o quilo. Acabei pagando 5 reais por uma fatiazinha do queijo mais barato. Mas nem por isso ruim...

Levei pra casa, preparei minha salada, adicionei um pouco de presunto defumado e uma fatiazinha mínima da fatiazinha pequena que eu tinha comprado. Não dá pra colocar muito queijo também senão você não sente o gosto de mais nada.

Insisti pra Léa comer um pedaço mas ela não dava o braço a torcer. Quase obriguei ela a comer 1 cubinho de 1 milimetro cubico do queijo e ela quase vomita no chão da cozinha. Léa ainda tem o ranso de pobre sabe? A pessoa pode ser pobre mas não pode ter o ranso de pobre!!! Mas isso é assunto pra outro capítulo.

Enfim... Comi minha super salada na janta e fui dormir feliz da vida já pensando no queijo que ia comer no dia seguinte.

Acordei e segui a rotina. Fui pro trabalho, dia cansativo, volto pra casa, fico alegre porque estava tudo limpinho que a empregada tinha ido arrumar a casa, tomo banho e vou na geladeira preparar minha salada já com água na boca.

Cato as folhas, legumes, presunto e procuro o queijo. Cadê o queijo? Cadê a porra do queijo?

- Léa? Cadê o queijo?
- Não sei. Procura direito.

E tome a procurar. Nada de achar o queijo.

Olho no congelador. Será que alguem colocou no congelador a porra do queijo? Achou que ele estava mole demais e colocou no congelador pra ele dar uma empedradazinha? Pra tomar com whiskey? Mas não. Nada do queijo no congelador. Cadê o queijo.

Começo a olhar nas gavetas do armario. Nada do queijo. De repente o que eu encontro? A vasilha plástica onde eu tinha colocado o queijo gorgonzola... Limpinha... Lavadinha... Cheirosinha!!! Nem sinal daquele fedor delicioso e daquele aspecto verde apodrecido maravilhoso da noite passada.

Foi Rosa, a empregada. Só pode ter sido Rosa que jogou meu queijo fora. PUTA QUE PARIU!!! Não é possível... Eu só tinha comido, no máximo, uns 50 centavos do queijo!!!

Só depois que eu entendi todo o contexto. Léa tinha pedido pra Rosa lavar a geladeira e olhar o que tinha apodrecendo nela porque estava com um cheiro ruim. Antes de Rosa chegar Léa viu que tinha um requeijão cremoso passado e jogou fora. Ligou pra Rosa e disse: "Rosa, achei o que estava ruim na geladeira". Mas Rosa já estava limpando a geladeira e se depara com o quê? Um queijo verde, fedorento e mole. Tá podre! Só pode estar podre! Mais do que podre o queijo está morto e não enterraram ainda. O que minha adorada empregada faz? Joga o queijo estragado no lixo.

Ainda não acreditando no acontecido liguei pra Rosa:

- Oi Ró. Tudo bom?
- Oi Tau. Tudo...
- Ró, vem cá... Eu comprei um queijo caríssimo ontem - já pra assustar - e não tô achando. Ele tava numa vasilha assim e assado. Você viu?

Silêncio...

- Queijo?
- Sim Ró...

Mais silêncio - Nessa hora ele deve estar pensando: Puta que pariu. Joguei o queijo fora!

- Ele tava podre Tau.
- Tava não Ró.
- Tava sim!
- Tava não Ró.
- Tava Tau. Ele tava verde e fedorento!
- É assim mesmo Ró.
- Não Tau. Tava podre. Chega estava molengo.
- É assim mesmo Rosa. Eu tinha comprado ontem.
- Ai meu Deus...

Meia hora de silêncio...

- Ô Tau. Me desculpe. É que eu achei que...
- Tudo bem Rosa. Era só pra ter certeza mesmo. Mas não joga mais nada fedorento fora não. Deixa que eu jogo...
- Tá bom Tau.
- Fica tranquila. Deixa lá. Tchau.
- Tchau...

E foi assim que aconteceu. Eu quase nunca me dou ao luxo de exagerar um pouquinho que seja. Quando faço vejam o que acontece...

Mas uma coisa eu tenho certeza: se aparecer na geladeira um tomate preto em decomposição Rosa não vai jogar fora neeeeeeeeem... Vai que é um tomate preto importado com cheiro de podre? Nunca se sabe...



Essa eu não podia de deixar de contar. Léa contou pra minha sogra, Dona Marie, sobre o acontecido e ela quase morre de asfixia de tanto rir... Hehehe! Tudo bem...

Dona Marie também gosta de gorgonzola e o acontecido parece que a deixou com vontade de comer um queijinho. O que ela fez? Comprou um pedaço. Maior do que o meu, provavelmente.

Dois dias depois do acontecido está Léa ao telefone com a mãe pelo Skype na hora da janta. A caixa de som estava ligada e de repente eu ouço;

- Sai daí YUPI! O queijo não YUPI!!! O GONGONZOLA NÃO YUPI!!!
- O que foi mãe???
- A YUPI acaba de comer o queijo gorgonzola inteiro que estava na mesa. Filha da puta!!!

Hehehehehe!!! Yupi é a cadela da casa da Léa. A julgar pela "osadia" da Yupi não sou só eu e Dona Marie na família que gostamos de queijo Gorgonzola!